Capitulo 1
(O Retratista)
A estrada de
chão de Figueira à 8 km de santa Bárbara do Sul, estava seca e empoeirada e já
se fazia quase 6 meses que não chovia uma gota de água sequer e o ar estava
quente. O céu estrelado embora a única luz que enxergava nas estreitas estradas
de chão era a luz fraca de sua lambreta clareava poucos metros à frente. Todos conheciam João Retratista e sempre levava a sua máquina de tirar retrato
por onde quer que fosse. Era seu ganha pão e tinha algo a mais que um conhecimento
fotográfico, na verdade tinha um profundo interesse pelos fenômenos ufológicos
que intrigavam os céus de quase todos os lugares naquele ano de 1949.
Registrava algumas fotos interessantes quando viajava para as localidades vizinhas
em suas idas e voltas para Porongo e Saldanha Marinho.
Tão logo avistou o clarão da cidade percebeu que uma pequena bola de luz se moveu com estrema velocidade entre os milhares estrelos que imóveis estavam nos céus. O olhar curioso de João percorreu o alto atentamente observando que não se tratava de algum cometa ou balão pois os movimentos eram extremamente rápidos. Neste momento não pensou duas vezes. Tinha de registrar aqueles fatos. Não que quisesse publicar as fotos para um daqueles jornais da cidade, mas como profundo admirador dos fenômenos que ouvia falar naqueles anos. Desde que tinha acabado a segunda guerra os comentários de que estes estranhos fenômenos aéreos circulavam por todos os cantos do mundo.
Pegou sua máquina fotográfica, então não mais os avistou, tinham desaparecidas. A menos que suas vistas estivessem cansadas ele teria visto coisas, aquilo que acabara de presenciar eram os tais discos voadores de que tanto falavam.
Partiu em seguida continuando sua viajem de volta para casa, quando indubitavelmente percebe que uma reluzente luz forte cruzou sua frente como se fosse um zunido de um enxame de vespas. A impressão era de que uma bala de revólver lhe tinha cortado à frente a um palmo de seu nariz, tão rápida que não tivera tempo de reunir as ideias que lhe atordoavam.
Quando duas bolas reluzentes apareceram poucos metros à
frente desviando sua atenção para derrapar em seguida a motocicleta na estrada à beira de um barranco, por sorte estava com pouca velocidade e não sofreu
lesões.
As luzes no céu dançavam de um lado a outro como vaga-lumes em movimentos rápidos e com alguma simetria geométrica no ar. Tão logo conseguiu retirar a máquina da sacola preta de couro que carregava sempre consigo para fotografar as bolas de fogos, imediatamente somem dos céus como um raio.
João assustou-se com aquele
acontecimento e não tinha mais dúvida de que o que presenciou de fato eram os
discos voadores que estavam seguindo-o...
Tudo parecia crer que os objetos avistados não poderia ser de natureza terrestre, movimentos rápido e o pouco que conhecia sobre as aeronaves da época, eram incomparáveis. Não restava dúvida de que era os discos voadores.
Em todo seu trajeto para casa sentiu que estava sendo seguido pelos
objetos voadores, mas não pode mais avista-los novamente.
O barulho da
lambreta acordou o sono de Leone enquanto seus outros irmãos estavam dormindo, ele levantou-se e foi ao encontro do pai. Todos os dias João chegava entre 08: 00,
e desta vez já se passava das 10:00, e o pequeno garota estava pregado no sono. João sabia que o
menino estaria acordado esperando algum presente que o pai sempre trazia. Mas desta vez não
teve muita sorte nos negócios e voltara de mãos vazias.
Seu João senta na cadeira a mesa, enquanto sua mulher
olhava para o garoto fazendo sinal para que ele fosse para cama. Depois que ela coloca
o prato de comida na mesa e senta na cadeira ao lado, já ficou imaginando que alguma coisa não estava bem com João. Dona Jovelita conhecia bem o
marido que tinha e bastava olhar para o semblante de João retratista, olhar profundo e sempre pensativo, tinha algo que o preocupava.
Os cachorros lá fora começaram a latir sem parar e Seu João levantou-se da mesa, pegou a sua espingarda, saiu para fora. O quintal estava escuro como breu e bem poderia qualquer um esconder-se por entre os arvoredos. João retratista gritou chamando seu cachorro, talvez algum vagabundo estivesse escondido por ali. Pensou em dar alguns tiros para cima mas quando levantou a arma, percebeu que algo passou como o vento por ele. “Seriam eles”? Pensou! “As naves tinham o seguido até aqui”? Correu para dentro assustado e fechou a porta. Mandou que sua mulher e filho fossem para o quarto com as outras crianças. Aterrorizada dona Jovelita pega as crianças se trancam no quarto.
Pela fresta da janela os pequeninos olhos de
Leone observam uma estranha luz que pairava na frente da porta. Assustado corre
para os braços de sua mãe enquanto as outras crianças escondiam-se embaixo das
cobertas.
Uma batida
na porta desperta atenção do retratista.
- Senhor
João! Por favor, abra! Queremos falar-lhe!
“Estranho!...”,
pensou João retratista. “Quem poderia
ser estas horas”?
João
retratista espia pela fresta da porta e avista o vulto de pessoas. Abre a porta
em seguida, ergue o braço estendendo lamparina de luz tênue para frente, enquanto observava os três homens parado na varanda de sua casa.
- O que desejam Senhores?
- Podemos entrar?
As estranhas pessoas que estavam paradas na sua porta eram altas quase dois metros de altura, um capuz
encobria suas cabeças não deixando ver suas faces. Os três gigantes entraram na casa e por algum tempo ficaram sondado o lugar a procura de algo.
- São da capital?
- Não.
- Então estão à procura de alguma fotografia?
Talvez se me disserem de onde eu possa me lembrar. Eu ando meio esquecido estes últimas dias. Perdoem-me minhas fracas memórias.
- Não
queremos fotografias.
-Não...
-Estamos
aqui para levar o garoto!
Aquelas
palavras frias e diretas cortaram o coração de dona Jovelita que escutava atrás
da porta do quarto.
- Levar quem?
Vocês entram na minha casa e dizem que vão levar um de meus filhos? O que pensam que são?
- Não se altere
Senhor João. É preciso que o menino venha até nós.
-Qual menino?
O que está acontecendo? O que ele fez de errado? Vocês são da polícia?
- Onde está
o garoto? Ele virá conosco para o Sistema GO.
- Loucos! Vão embora de minha casa agora!
Disse João
retratista irritado apontando a espingarda para frente enquanto apressava-se para impedi-los que chegassem até o quarto dos garotos. As crianças estavam assustadas
em baixo das cobertas. A porta se abriu fazendo a sombra do gigante se projetar
sobre a parede do quarto. O homem de capa preta parou na porta, entrou e caminhou até o local onde as crianças Nereu, Vilson e Clodoaci estavam escondidas.
O homem de capa preta ergueu as cobertas, os olhos
vermelhos observam os meninos que estavam encolhidos depois volta-se para o
lado, deixando-os.
O garoto que procurava estava atrás do guarda-roupa.
- Não tenha medo! – Disse o homem de capa preta. – Venha!
Paralisado o
garoto segue o estranho, quando o retratista entra.
- Por que
estão levando meu filho?
João
Retratista estava amedrontado quando entrou no quarto.
- O sistema
do governo oculto, está esperando por ele.
Um deles coloca
a mão na cabeça de João retratista e diz:
- Descanse!
Sob um sono hipnótico, João retratista e Dona Jovelita adormecem enquanto os estranhos homens de capa preta
saem levando o garoto.
O dia
amanhece, o galo cantava lá fora e ali dentro da casa sob o frio da manhã, os
dois encontravam-se adormecidos no assoalho, quando João retratista é
despertado pelos raios do sol que batem no rosto. Dona Jovelita estava sentada
no sofá e cobria o rosto com as mãos sobre as lágrimas que caiam.
- Onde ele
está? Onde está LEONE?
-Ele se foi?
Disse ela em prantos.
– O que será de nós agora? Eles levaram nosso
menino.
Continua...

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